Pimenta Alecrim Palavra - Sonia Guzzi

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terça-feira, 29 de março de 2011

Dia fecundo






A garganta despertou desejosa de cantar,

a boca de insinuar felicidade,

os olhos engraxados no lustre da esperança,

o coração numa flamância por ventura...

Fecundidade...A vista.


Sonia Guzzi

quarta-feira, 16 de março de 2011

VEJO



Vejo o céu sorrindo,

encantado de luz.


Vejo casas corajosas,

sentadas em morros desolados.


Vejo vidas apressadas,

temerosas, em gavetas insolentes.


Vejo também a janela envelhecida,

enfeitada pelo sol.


Vejo a cortina brincando com a brisa.


Vejo minha pele,

abraçando o caminho do tempo.


Vejo meus pés desistentes,

apoiados na mesa.


Vejo meu tempo espiando o mistério.


Vejo a criança pedindo,

a promessa descurada.


Vejo o ruído do mundo,

em imagens.


Vejo

só urgências eternas...

em corpos provisórios.



Sonia Guzzi


segunda-feira, 7 de março de 2011

Palavras vazias



Encontrei alguns escritos datados do ano de 1980. Este abaixo é um deles. Continuo apreciando a síntese, apesar de que provavelmente hoje escreveria de outra forma, mas, o sentimento é o mesmo. Então resolvi transcrevê-lo.

Gde abraço, em divina amizade.



Eu não gosto de explicações, só procuro respostas...Então não deixe que suas palavras embolorem no meu tédio.

É terrivelmente Chato.


Sonia Guzzi


quarta-feira, 19 de janeiro de 2011






As meninas da Casa do Caminho- Concordia- SC


Homenagem



Menina que abraça,

ainda que o mundo,

destrói em um segundo,

a semente que emerge,

o que o ouro elege,

a menina resiste,

sem medo persiste,

oferece a taça.


Menina que chora,

que é mãe e filha,

faz pão com baunilha,

alimenta sua prole,

pra que seu filho não esmole,

Os olhos molhados,

Os pés fatigados,

A coragem aflora,


Menina valente,

também sonha que um dia,

a ganância esvazia,

na real luz, que não morre,

fecunda, fé não escorre,

oh! menina sem medo,

apanha o brinquedo,

no amor confluente.



Sonia Guzzi

sábado, 8 de janeiro de 2011

Cheiro da Noite



Gosto do cheiro da noite. Com os seus pios e medos. Com a luz mortiça e segredos. A esperança corajosa, filtrando paciente, curiosa. O sonho que empalidece. No esforço como uma prece... Fugindo do algoz açoite.


Sonia Guzzi

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Trecho do livro Pimenta alecrim e palavra:



Delicadamente, dona Nena pegou um punhado de terra de uma panela de barro, colocou na palma das mãos e assoprou, chamando a força da terra através da Amazônia. Em seguida, pegou duas garrafas, uma azul e outra vermelha. Quando tirou a rolha das duas, uma fumaça azul e vermelha saiu dos frascos e, com espanto, Elizabete sentiu a terra tremer. Um som intenso reverberou no ouvido das duas mulheres, e então elas se sentiram pequenas com um grão de areia e, em seguida, imensas como a própria terra. Depois um amor compassivo tomou conta de tudo. Por um breve momento, um amor profundo e extraordinário esqueceu a própria humanidade. Uma brisa suave movimentou a longa túnica dourada que Elizabete usava pela primeira vez.



Sonia Guzzi

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Verão choroso


Meu verão está bem molhado, e o seu?

Triste verão que sem alarde

Provocou o céu inteiro

Quebrando a mansidão da tarde

Derramando um aguaceiro


Sonia Guzzi