Entardeceu,
e já se pode ouvir os passos da noite.
As paredes outrora brancas,
agora estão enfeitadas com silêncio, mofo e fastio.
O violão no canto da sala,
com seu jeito de promessa descansa.
Entre êxtase e tédio preferiu só as lembranças.
Anoiteceu,
e as mãos descuidadas fecham as janelas.
Não haverá aroma entre mesa posta, flores e riso.
Fecha o peito,
para a brisa incipiente e temerosa,
que assopra canções novas.
O coração teimoso está preso,
na penumbra de seu próprio grito.
No alto de sua dor,
não percebe o céu generoso,
derrubando estrelas pelo chão,
na tentativa insistente,
de fazer brotar cor e beleza,
no traço inconstante de seus dias.
Enquanto isso,
a criança chora,
a coruja com seus olhos de susto,
observa no alto do poste,
as greves alardeiam seus direitos,
as guerras destroem jovens vidas,
a mulher santa abraça e abençoa,
os dois jovens trocam carícias,
os preços..........
Sonia Guzzi
Pimenta Alecrim Palavra - Sonia Guzzi
quarta-feira, 20 de julho de 2011
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Saudade

A saudade teceu na teia do tempo amores imortais. Primorosa e pontual com sua linha escarlate. Depois, a lembrança embalou e encerrou no labirinto dos tesouros encantados. Desde então...sou procuradora...das duas.
Sonia Guzzi
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Luz e serpente

Na trama áspera da batida das horas,
entre lagos e rios ondula o amor,
na desordem cansada da rotina aflora,
a vertente entulhada revelando amargor.
É um longo caminho entre luz e serpente,
escolhendo o amarelo se o vermelho seduz,
entre cruz e moeda surge Judas e o tridente,
emerge o carimbo divino e à paz reconduz.
Então cessam todos vestígios de fumaça,
o coração aquieta ao sussurro delicado,
e o destino exulta feliz em seu legado.
Novo tempo de despertar,
ouvir o prelúdio dessa melodia,
e o verde sinaliza... Uma linda sinfonia.
Sonia Guzzi
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Possibilidades
Os olhos brilham...Lá no futuro, as possibilidades eclodiram um clarão. A ebulição duelista arrumou um jeito...De ser feliz.
Sonia Guzzi
quarta-feira, 11 de maio de 2011
Recomeço
nas luzes débeis da noite moribunda,
o peito intrépido elege o inesperado e sonda,
o bicho alado planando acima de brisas suaves,
sois mornos, primaveras delicadas e amáveis.
Agora é tempo de tempestade,
água que escorre arrastando antigas mágoas,
prisioneiras nos porões do tempo e lua,
depois do vendaval, destruição,
no livre pássaro surge então um novo adorno.
Sonia Guzzi
sois mornos, primaveras delicadas e amáveis.
Agora é tempo de tempestade,
água que escorre arrastando antigas mágoas,
prisioneiras nos porões do tempo e lua,
depois do vendaval, destruição,
no livre pássaro surge então um novo adorno.
Sonia Guzzi
sexta-feira, 6 de maio de 2011
terça-feira, 3 de maio de 2011
Vladimir Maiakóvski- ( 1893- 1930)
Gde abraço, em divina amizade.
Despertar é preciso
Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma flor do nosso jardim e não dizemos nada
Na segunda noite, ja não se escondem; pisam as flores, matam nosso cão e não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba nossa lua e conhecendo nosso medo, arranca a voz da nossa garganta. E porque não dissemos nada, ja não podemos dizer nada.
Vladimir Maiakóvski
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