Pimenta Alecrim Palavra - Sonia Guzzi

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Propósito


Gosto do vermelho da terra,
que cola na mão que trabalha,
e o evento que encerra,
a promessa que agasalha.
 
Gosto da rubra amoreira,
vergada, exausta em bagos,
no destino doce obreira,
ventre parido em afago.

Gosto das mãos cinzelando,
um céu escarlate em susto,
nuvens, também anjos robustos.

Gosto do olhar amoroso,
que pranteia a dor do mundo,
e acolhe em amor profundo.

Sonia Guzzi

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Ainda assim...

Entardeceu,
e já se pode ouvir os passos da noite.
As paredes outrora brancas,
agora estão enfeitadas com silêncio, mofo e fastio.
O violão no canto da sala,
com seu jeito de promessa descansa.
Entre êxtase e tédio preferiu só as lembranças.
Anoiteceu,
e as mãos descuidadas fecham as janelas.
Não haverá aroma entre mesa posta, flores e riso.
Fecha o peito,
para a brisa incipiente e temerosa,
que assopra canções novas.
O coração teimoso está preso,
na penumbra de seu próprio grito.
No alto de sua dor,
não percebe o céu generoso,
derrubando estrelas pelo chão,
na tentativa insistente,
de fazer brotar cor e beleza,
no traço inconstante de seus dias.
Enquanto isso,
a criança chora,
a coruja com seus olhos de susto,
observa no alto do poste,
as greves alardeiam seus direitos,
as guerras destroem jovens vidas,
a mulher santa abraça e abençoa,
os dois jovens trocam carícias,
os preços..........


Sonia Guzzi

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Saudade


A saudade teceu na teia do tempo amores imortais. Primorosa e pontual com sua linha escarlate. Depois, a lembrança embalou e encerrou no labirinto dos tesouros encantados. Desde então...sou procuradora...das duas.

Sonia Guzzi

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Luz e serpente



Na trama áspera da batida das horas,
entre lagos e rios ondula o amor,
na desordem cansada da rotina aflora,
a vertente entulhada revelando amargor.

É um longo caminho entre luz e serpente,
escolhendo o amarelo se o vermelho seduz,
entre cruz e moeda surge Judas e o tridente,
emerge o carimbo divino e à paz reconduz.

Então cessam todos vestígios de fumaça,
o coração aquieta ao sussurro delicado,
e o destino exulta feliz em seu legado.

Novo tempo de despertar,
ouvir o prelúdio dessa melodia,
e o verde sinaliza... Uma linda sinfonia.

Sonia Guzzi

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Possibilidades



Os olhos brilham...Lá no futuro, as possibilidades eclodiram um clarão. A ebulição duelista arrumou um jeito...De ser feliz.



Sonia Guzzi

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Recomeço

A pálida manhã desenha seu contorno,
nas luzes débeis da noite moribunda,
o peito intrépido elege o inesperado e sonda,
o bicho alado planando acima de brisas suaves,
sois mornos, primaveras delicadas e amáveis.
Agora é tempo de tempestade,
água que escorre arrastando antigas mágoas,
prisioneiras nos porões do tempo e lua,
depois do vendaval, destruição,
no livre pássaro surge então um novo adorno
.

Sonia Guzzi

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Minha mãe


Entrelaçando dias claros,
no eco da minha infância,
tocando-me com tolerância,
surge a voz doce, sinfonia,
e qualquer nuvem renuncia,
sabendo do seu fracasso,
após longo e profundo abraço,
doce ventre, amor raro.

Sonia Guzzi