O encantamento de João Gilberto Noll.
Quando João Gilberto Noll sobe no palco e começa a ler trechos de seu trabalho, alguma coisa mágica acontece.
Não está no nível de acontecimentos ordinários, mas, no bolso latente, onde o mistério de uma narrativa profundamente exuberante de possibilidades desconhecidas, mas ao mesmo tempo familiares, acontece.
Aquele lado da alma que estendida em suas múltiplas probabilidades se revela, quase como alguma coisa sobrenatural.
Naquele momento, o intelecto recua para que a alma em plenitude se torne astro.
A profundidade da exposição do personagem não permite que o intelecto realize nenhum vôo rasante a procura de perguntas inadequadas. É um momento onde devemos deixar que nossa alma mergulhe humildemente no silêncio, e agradecer aquele instante de entrega e vulnerabilidade.
Na minha opinião, faltou Noll no palco, revelando seu trabalho, com sua inigualável linguagem musical . Faltou gratidão e...faltou silêncio.
Sonia Guzzi