Pimenta Alecrim Palavra - Sonia Guzzi

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sábado, 5 de novembro de 2011

O mestre da poesia e beleza



A música de Itzhak Perlman

A música acena
murmura serena
com alegria plena
 e o som  propaga
do peito que explode
e sibila a ode
emoção sacode
e define a saga

A platéia atenta
e qual luz sedenta
respira e acalenta
o dom e beleza
 toque qual adaga
também fere e afaga
Deus à ele sufraga
Completo em  grandeza

Sonia Guzzi

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Menina levada

A menina levada
que rejeita conselho
ela cai de uma escada
e machuca o seu joelho.

Então chora se espanta
e reclama do mundo
 logo depois me encanta
com abraço bem fundo.

 cedo, em tão  tenra idade
sem registro da lida
sabe que a dualidade
 veste enredo da vida.

Toda felicidade,
tem Incredulidade,
Também comicidade,
tem dramaticidade.

Sonia Guzzi

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Walt Whitman- tradução Geir Campos

Silenciosa aranha paciente

Silenciosa aranha paciente
- notei como em pequeno promontório
estava ela isolada,
notei como explorava
o vasto vazio que a circundava:
ia jogando fio, fio, fio
tirando dela mesma,
soltando-os sempre mais,
incansável fazendo-os correr sempre.
E você, ó minha alma, onde é que está
cercada, separada, em desmedidos
oceanos de espaço,
ininterruptamente ponderando,
arriscando, jogando,
em busca de esferas para liga-las
até que esteja construida a ponte
que irás necessitar,
até que esteja segura a âncora dúctil,
até que o fio de teia que lanças
prenda-se em algum lugar, ó minha alma!

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Minha dor

Minha Dor II


Minha dor não tem som nem gesto,
segue com seu rastro pegajoso,
discreta lesma laboriosa,
e sob o sol quente e claro,
vai juntando da terra os gritos,
o sofrimento, sangue e pranto.

Minha dor sem motim ou alarde,
deita seu alento no colo débil,
de uma noite que já estremece,
desliza sem ruído nas madrugadas,
enlutada espoca silenciosa,
 no subterrâneo dos lamentos,
ferida e exausta entrega à terra,
a crueldade, o sal e a água.


Sonia Guzzi

 

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Selinho


Recebi este selinho da amiga Neil, do blog http://nellsantos.blogspot.com/, em tempos idos.
Fiquei tentando posta-lo de um outro jeito e não consegui, apesar de desconfigurar o blog.
Vocês viram o blog de ponta cabeça, e bem no meio dele uma boca enorme ...sorrindo?
Não era o lobo mau...era a boca desta limitada criatura. Até agora, não sei como ela saiu da foto e foi parar ali.
Depois da explicação, quanto a demora da postagem, quero agradecer muitíssimo o gesto de amizade, da amiga poetisa e blogueira.
Sei que existe um protocolo quanto ao selo, mas, quero pedir permissão para oferece-lo à todos  queridos amigos visitantes. Tudo bem Nell?...por favor, diga que sim. rss
Bjs, linda.
Gde abraço a todos, em divina amizade.
Sonia Guzzi


domingo, 2 de outubro de 2011

Luto



Morreu seu Juca da banca de revistas.

Hoje o pequeno quiosque de notícias está fechado.

Enroscada entre dois pilares, uma única faixa preta sem pudor ou reserva diz: "luto, seu Juca morreu.”

Ignorando a manhã que acordou silenciosa na pequena cidade, seu Juca partiu.

Deixou o cão três patas, que em virtude de um atropelamento recebeu o apelido e acolhido e tratado pelo homem compassivo, a ele ficou afeiçoado. Agora ali, deitado perto do banco de cimento ao lado do pequeno quiosque, seus olhos manchados com uma sombra de dor, alcança quem se aproxima, produzindo no peito uma leve fisgada de saudade.

Morreu seu Juca da banca de revistas.

No balcão perto da caixa registradora, dentro de um diminuto recipiente de acrílico ficou a gravura de uma folha de bordo vermelho, pois o homem sonhador esperava um dia conhecer o Canadá, e aquela lembrança, inspirava seus dias de possibilidades e esperança.

Ficou também a intenção de um filho desejado, perdido entre rusgas cotidianas, beijos apressados, compras adiadas e sonhos desistentes. Deixou entre dias passados também seus segredos, que assim sendo, deverão permanecer, enroscados num tempo sorrateiro, disfarçado entre sois e luas.

Ficou a rua da praça com seus carros apressados, passos conhecidos e sorrisos matinais.

Ficou também a viúva Leonor, enlutada de choro e mágoa, mas, se me permite uma irresistível indiscrição, seus olhos molhados já escorregam esperançosos em outra direção.

Ficou também a perplexidade dos amigos, a desolação de três patas e também uma chuva fina caindo mansamente durante todo o cortejo, na despedida do vendedor de palavras.

Naquela tarde triste, a terra acolheu seu Juca e a história de um homem bom.

E depois... a noite encobriu o dia...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Oração

Amigos(as), me afastarei este mês das postagens, mas, retornarei no começo do mês de Outubro. Deixo esta oração e meu carinho.
Bjs, em divina amizade.
Sonia Guzzi